Sobre a responsabilidade na publicação

Sobre a responsabilidade na publicação

Oiii Pessoal!

Quando começou a “Era da reclamação”?

Bom, na minha humilde opinião pra quem já tinha blog há mais de 5 anos (não é o meu caso), esse era o espaço em que a pessoa podia escrever, desabafar, mostrar acontecimentos a fim de alertar os amigos e leitores sobre algum problema ou acontecimento.

Depois veio o Twitter (desculpem se tiveram outros meios antes disso que eu não participei). Esse sim foi muro das lamentações de muita gente, principalmente em relação à grandes empresas, que criaram seus canais de ouvidoria nas redes sociais. Até aí, ótimo: o consumidor foi ouvido! Antes tínhamos que descobrir o “0800″ da empresa (que em SP quase não existe e você gasta ligação), ficar horas tentando falar, escutando a musiquinha chata e a gravação com voz de robô e nunca chegava no “Disque 0 para falar com o atendente”. Quando dava certo, de duas, uma: ou caía a ligação ou passava de pessoa em pessoa e nada era resolvido. Nesse quesito ponto positivo para as redes sociais corporativas!

Aí o modelo “publicação-denúncia” migrou para o facebook, que permite compartilhamentos desenfreados, comentários e a notícia se espalha como praga. E isso é MUITO BOM mas vocês conseguem imaginar a responsabilidade da primeira pessoa que vai lá e posta uma informação? Começa uma cadeira de comentários e informações (ou desinformações?), algumas vezes errôneas, e aquilo vai virando uma bola de neve. Mas já foi! Não adianta apagar pois outra pessoa já “deu print”, já re-postou em outro lugar, gerando ainda mais zum-zum-zum. E quem re-postou pode ser responsabilizado por denúncias infundadas.

Uma foto de uma babá que batia em criança, quem viu? Eu vi, repostei e depois de um alerta de um amigo apaguei aquilo na hora. Odeio publicação sensacionalista mas como havia sido uma prima que pediu pra divulgar, achei que ela tinha certeza daquilo. E se tivesse? Eu respondo pelo o que eu publico, não pelo o que ela publica, certo? Que provas tenho sobre aquilo?

E um macarrão com bichinho dentro? Você alastra pra um grupo enorme de mães que aquele produto não presta, que tinha bicho e é impróprio para crianças. Você sabe a que condições foi submetido? Se o armário da SUA casa é arejado? Se o armazém do supermercado atende aos requisitos? Os fabricantes são responsáveis sim e tem que cobrar quem distribui seus produtos, mas quem deveria fiscalizar isso não o faz. Sobre as embalagens de suco com aquela gosma nojenta então, nem me lembre. Tem diversos vídeos no Youtube com denuncias e reclamações. E realmente temos que denunciar, mas todo cuidado é pouco na hora de elaborar o texto da publicação ou a forma como aquilo é colocado.

Outro caso. Uma pessoa tem a “brilhante” idéia de abrir um brinquedo de banho e vê que está cheio de lodo (e claro, contaminado). Isso cai na rede e as pessoas começam a se assustar com aquilo como se os produtos fossem verdadeiras armas de fogo na mão das crianças. Oi? O que você esperava de um brinquedo que você enche de água, nem sempre consegue esvaziar e deixa lá parado dentro do banheiro úmido e quente? É claro que assusta e a primeira reação é “Compartilhar” e mostrar toda a sua indignação, afinal, seu filho brinca com aquilo também. Mas é só parar um pouco pra pensar que você vai ver que nunca prestou atenção nisso, mas estava bem na nossa cara. Sim, é perigoso, mas achei exagerado. (3 Dicas: se você tiver tempo, aspira todos eles com água e hipoclorito – pode ser água sanitária, ou o de lavar salada – deixa um tempo e esguicha a água várias vezes para lavar bem; ou troca periodicamente os brinquedos; ou veda eles com cola quente)

E o tal Quartenium-15 e a mobilização entre as mães para jogar fora todos os produtos que contivessem  o ingrediente? Será que todos pesquisaram, foram atrás de pesquisas e informações sérias ANTES de criar polêmica e fazer post/publicação sensacionalista? Sabe qual é a quantidade de produto permitido ou que faz mal? Uma vez lançado na rede, já era. Você já causou o burburinho e se você se arrepender sobre a forma de publicar, so sorry, a retratação não vai ter o mesmo alcance da denúncia, porque afinal, “notícia ruim chega mais rápido”.

Nós, que temos blogs e veículos de mídia, temos que ter um cuidado redobrado com comentários, compartilhamentos e publicações. Já pensaram quantas famílias são impactadas com as notícias por nós divulgadas? E a responsabilidade que temos com o veículo (blog, site etc), com o nome, com a marca que anuncia, com o leitor e também sobre a opinião de cada um que julga o conteúdo e faz associações como acha conveniente, tirando suas próprias conclusões? Não é mole não, mermão.

Ficou tão fácil reclamar e denunciar que as vezes as pessoas (e eu me incluo nesse grupo) perdem a noção do que devem ou não falar. Não analisam, não julgam criteriosamente. Só “joga na rede” e com a intenção de ajudar e alertar, sem medir as consequências. Vocês já pararam pra pensar nisso?