A moral faz parte das ligações afetivas que se estabelecem entre os indivíduos e consiste em um sistema de regras. Todavia, não se pode falar em moral sem a existência de normas, e a essência de toda moralidade deve ser buscada no respeito que o indivíduo adquire por essas regras. É próprio de uma norma ou regra ser sentida como obrigatória pelo sujeito, independentemente do fato de que ele a cumpra ou a viole.
Desde muito cedo, em torno de 1 ano e meio e 2 anos de idade, já é possível observar reações afetivas da criança em relação ao mundo externo: a existência do Eu e do Outro – “antes era sempre como mamãe queria, porque nós dois éramos apenas um, mas agora é: eu e você”. É a fase do “não” – a criança diz “não” para fazer “sim”, ou seja, “eu vou fazer não porque você está pedindo, mas porque eu quero fazer”. Essa diferenciação é condição necessária para que ocorram trocas inter-individuais propriamente ditas, e é a partir delas que nasce a obediência, a ordem, as regras, o certo e o errado. Inicialmente, as normas, as opiniões e os valores dos pais têm um valor absoluto para a criança: ela busca imitá-los, assume os seus pontos de vista e adota a sua escala de valores.
Na medida em que as trocas sociais são estabelecidas também com outras crianças (e não apenas com os adultos), a criança passa a ver os adultos como seus iguais e não mais como superiores; desenvolve-se, ao lado da coação social, outra forma de relação que envolve a cooperação e autonomia (“minha própria moral”).
A criança compreende a diferença entre uma norma e uma lei e que nem sempre o que a norma determina é justo. Enquanto para as crianças pequenas tudo o que é solicitado ou determinado pelo adulto é correto, para as maiores — e principalmente para os adolescentes — o justo é definido pelo princípio de igualdade.
É a partir dos 7-8 anos de idade que a criança torna-se capaz de realizar avaliações pessoais acerca dos seus atos. É normalmente nessa fase que é comum a criança entrar em conflito com os adultos, pois elas passam a observar se o que foi aprendido é também seguido pelo outro – “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Assim, o sentimento de justiça surge na tentativa de fazer jus à sua lei apreendida.
O desenvolvimento da moral também é visto por um processo paulatino que vai sendo transformado com o decorrer da idade, experiência da criança e contexto familiar. De maneira geral, podemos ver da seguinte maneira:
- No estágio I, a criança confia nas consequências físicas de alguma ação para decidir se ela está certa ou errada.
- No estágio II, a criança começa a operar em relação ao princípio de que deve fazer as coisas que tragam recompensa e evitar aquelas que trazem punição.
- No estágio III, ocorre uma mudança dos juízos a partir das consequências externas e ganhos pessoais, com base em regras ou normas de um grupo ao qual a criança pertença – a criança acredita que o bom comportamento é o que agrada às demais pessoas.
- No estágio IV, a criança está se voltando para grupos maiores em relação às suas normas, ou seja, focaliza o cumprir seu dever, respeitar a autoridade e seguir as leis e regras.
Tais estágios são marcados também pela mudança da fonte de autoridade. A criança inicialmente entende a autoridade como totalmente exterior a si mesma, para posteriormente serem internalizados os juízos ou regras — embora não sejam questionados ou analisados. Aos poucos uma nova espécie de autoridade pessoal surge, na qual são feitas escolhas com juízos individuais na tentativa de garantir o que é justo, progredindo para a responsabilidade pessoal de suas próprias ações.
Entretanto, existem aquelas crianças que parecem não aceitar ou contestar os adultos no que diz respeito a obediência. Por mais que elas saibam e recebam castigos e broncas, continuam sendo desobedientes e “difíceis” de lidar — as denominadas “crianças sem limites” ou até mesmo “mal-educadas”. Mas um ponto que deve ser pensado é: as crianças adquirem os hábitos dos adultos, sobretudo quando são pequenas. É como se a criança pegasse emprestada a linguagem e/ou o comportamento dos adultos e os utilizasse em suas relações ou para solucionar um conflito. Frequentemente vejo crianças repetindo o tom de voz dos pais e até mesmo gestos e palavras utilizadas por eles. Os pais ficam complemente surpresos quando a criança começa a se sentir uma “pessoazinha” e agir de forma parecida… “Não sei a quem puxou…”
Repito: para toda criança pequena, o que o adulto faz é visto como “certo”, cegamente por assim dizer; e, mais cedo ou mais tarde, a criança o imitará tanto na relação com o próprio adulto quanto na relação com as outras crianças. Muitas vezes o mau comportamento da criança pode estar se referindo a uma falta de orientação ou manejo dos pais. A criança sempre é um vir a ser, por isso, orientar a criança, ensiná-la e explicar algumas coisas, sempre é muito bem-vindo.

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