Birras: como lidar? [Parte I]

Birras: como lidar? [Parte I]

Os dilemas da modernidade nos trazem muitas dúvidas, inseguranças e incertezas diante das mudanças e transformações que nossas crianças vêm apresentado. Desta forma, temos que “quebrar a cabeça” e inovar em soluções e maneiras de agir. Não dá mais para ter as mesmas atitudes de 40 anos atrás. Nós, seres humanos, a cada época, precisamos nos adaptar e atualizar novas maneiras de pensar e agir, até porque os “problemas” mudaram, como também as crianças: antigamente, por exemplo, o recém-nascido mal abria os olhos e sua parte craniana ainda não estava totalmente desenvolvida. Hoje, um bebê com um mês de nascido já abre os olhos, direciona o olhar para você e já não tem o crânio (“a moleira” — chamam assim aqui na Bahia) tão aberto. Da mesma maneira que a personalidade e o desenvolvimento da criança têm passado por transformações, a família também precisa crescer e construir novas maneiras de educar seus filhos.

Os pais modernos, perdidos e confusos sentem-se “enlouquecidos” com os filhos que questionam incessantemente tudo o que é dito, que resistem às tarefas diárias e que possuem enorme atração pelas milhares opções de lazer e tecnologia. Educar dá trabalho, pois exige dos pais paciência, tolerância, persistência, repetições e muito, muito amor.

Por que ainda existem pais que acreditam ainda em “apanhar para aprender” se, mesmo depois de apanhar, passa um tempo e eles repetem tudo de novo? É muito fácil bater para compensar ou dispersar a raiva, mas a parte do aprendizado fica onde, se batemos apenas por raiva?

Se professoras e — às vezes — babás desenvolvem manejos de lidar com crianças sem recorrer ao castigo físico, por que há pais que ainda acreditam que bater resolverá? Há pais que tentam justificar seus atos impulsivos (descarga de raiva) e dizem: “Ele pediu pra apanhar, eu avisei” e acabam atingindo a outra etapa: a dos gritos, descontrole e exaustão, ou seja, “bichos ferozes”.

Certa vez atendi uma menina de 7 anos que tinha sérios problemas relacionais com sua mãe e, em uma atividade lúdica, pedi para ela transformar todos os membros de sua família em animais; adivinhem o que a mãe virou? Aposta lançadas… UM TIGRE! Claro, por que não? Tudo o que essa menina fazia de “errado” ou que não ia em acordo com que a mãe dizia ou mandava, virava uma fera! “Ela não me obedece, não faz nada o que eu mando, tudo dela é um minutinho, por isso ameaço logo com a sandália e jogo!”

Maus tratos infantil é crime e, não só isso, um crime cometido pelos próprios pais. Qual o pai que gosta de ver a babá dando um tapa em seu próprio filho? Por que ela não pode e os pais podem? Cada criança tem sua personalidade individual, isso é fato, mas cabe a nós, adultos e maduros, orientar as crianças, conversar e explicar quantas vezes for necessário, mesmo que elas não entendam ou não queriam. Faz parte!

Muitos detestam bater no filhos e logo depois se arrependem e ficam remoendo aquilo o dia todo. Culpa? Com certeza, mas por que? Se bateu para ensinar…!? Uma coisa é fato: crianças dão nó em pingo d’água e são muito espertas. Tem crianças que sentem prazer com o seu “PODER” de deixar os adultos descontrolados e ineficientes e, por isso, elas aguentam a dor das palmadas. Tem umas que ainda dizem: “não doeu”. É mole? Não, é duro mesmo educar crianças.

Perceberam que o buraco é mais embaixo? Quem disse que é fácil educar? E quem disse que existem modelos certos e respostas certas para lidar com nossos filhos? Mas, falar com firmeza e buscar coerência nas palavras e atos são recursos muito úteis para lidar com os conflitos cotidianos e com as famosas BIRRAS.

Quem disse que frustrar a criança traumatiza? Posso afirmar que o uso do NÃO e a sustentação dele já é meio caminho andado para prevenir birras e problemas bem maiores (distúrbios de conduta e delinquências futuras).

A falta de limites prejudica:

  • o controle da impulsividade: a criança cresce achando que é o centro das atenções e que todos têm a obrigação de satisfazer seus desejos na hora em que ela quer;
  • controle da raiva: a criança levanta a mão, bate ou morde quando contrariada;
  • diminui a tolerância à frustração: dificuldade de pensar em alternativas criativas quando não consegue o que deseja;
  • capacidade de esperar;
  • estimula tirania e o egocentrismo: dificuldade de perceber que os outros também têm direitos e desejos.

A maneira de lidar é decisiva. Os pais precisam ser firmes, mesmo que o filho chore e fique com raiva deles. Se cedem a cada vez que ele fica desapontado, acabam criando uma pessoa que não suporta a frustração, tem dificuldades de relacionamento e fica malvista pelos amigos.

Fiquem ligados! No próximo post falarei o que são as birras, as causas, como evitá-las e o que fazer…

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