Lei da Palmada ou Lei Menino Bernardo terá efeito moral

Lei da Palmada ou Lei Menino Bernardo terá efeito moral

Muito se fala da Lei da Palmada ou o nome oficial, Lei Menino Bernardo, mas o que ela de fato agrega à sociedade?

O Código Penal já prevê pena para quem comete violência que causa lesão corporal e maus-tratos, e não, a lei citada acima não é a chave para resolver tudo, mas pode ajudar a mudar o comportamento excessivamente agressivo da sociedade.

O projeto de Lei foi aprovado pela Câmara e pelo Senado (este no dia 4/6/14) e agora aguardam que ela seja sancionada pela Presidente do Brasil.

Nunca consegui me posicionar contra essa lei, não sei se por ser um modelo de comportamento politicamente correto ou porque de fato eu sou contra a violência, mas desde o começo das notícias e textos que li sobre o assunto tentamos mudar o nosso comportamento em casa, em relação à ameaças e reações exageradas em resposta a alguns acontecimentos. Eu não seria hipócrita de dizer que nunca dei palmada. Na verdade seria mentirosa se dissesse que não me descontrolei e perdi a paciência na última semana, descontando a raiva através de um tapa mas felizmente pouco tempo depois da palmada vem a culpa por não ter sabido conduzir a situação e um filme volta à cabeça do que poderia ter sido feito para que não chegasse àquele ponto. 

De acordo com uma matéria da Folha essa lei não proíbe a palmada, mas proíbe CASTIGO FÍSICO que provoque SOFRIMENTO FÍSICO ou LESÃO.

O índice de violência doméstica, principalmente nas classes mais baixas, é muito grande e é comum ver os pais, familiares, cuidadores e até educadores resolverem tudo no tapa, cinto, chinelo e outras formas de castigo excessivo por coisas simples como quando a criança derruba um copo de leite sobre o sofá ou quebra um vaso; ou até mesmo quando faz birras memoráveis, é mal educado ou apronta uma bela de uma “arte”. É sobre essa violência gratuita e excessiva que eu acredito que o projeto fala.

Pra quem defende que faz parte da educação, desculpa, mas isso pra mim não é educar:

Isso não é educar.

Chineladas na mão não é educar. (fonte)

Para imagens mais chocantes, procurem no google “Agressão cinto”. Pode não ser comum na sua casa, mas é em muitas.

De acordo com a Secretaria de Direitos Humanos, pasta responsável pelo Disque 100, a central recebeu 124.094 denúncias de agressão contra crianças em 2013. As denúncias incluem violência, exploração de menores, abuso sexual, trabalho forçado, negligência e violência psicológica. (G1)

Nós, pais, sabemos que as crianças nos testam o tempo todo! Eles precisam disso para saber até onde ir e também para vencer pelo cansaço. E não podemos cansar. A palmada é desnecessária e vem justamente na hora em que perdemos o controle da situação e descontamos na criança a incapacidade de lidar com aquilo. É como um “cala a boca” depois que o alerta e a conversa não resolveram, mas a criança também vai aprender que quando não conseguir lidar com a situação conversando, ela pode resolver batendo, e isso não pode acontecer!

O projeto estabelece o direito da criança e do adolescente serem educados e cuidados sem o uso de castigo físico ou de tratamento cruel ou degradante.

Não podemos criar adultos intolerantes, agressivos e estressados que podem perder a vida em uma briga de trânsito ou de bar.

Não podemos estimular agressão, se não quisermos que nossos filhos agridam ou voltem agredidos da rua.

Não podemos perder o controle e usar a força para mostrar que o maior vence. Quantos casos de agressão do filho contra pais e avós vocês já ouviram? Um dia eles serão maiores e também podem faltar com respeito, podem agredir e perder a paciência conosco. Eles não vão se lembrar das noites em claro que passamos preocupados com as cólicas, as febres e vômitos, mas vão se lembrar (consciente ou inconscientemente) das agressões que sofreram.

Acredito que a Lei Menino Bernardo terá um impacto MORAL positivo sobre o Comportamento de Pais e responsáveis legais de crianças no dia-a-dia.

Moral é o conjunto de regras adquiridas através da cultura, da educação, da tradição e do cotidiano, e que orientam o comportamento humano dentro de uma sociedade. O termo tem origem no Latim “morales” cujo significado é “relativo aos costumes”. (fonte)

A partir do momento em que for moralmente incorreto, inaceitável e ILEGAL, e as pessoas começarão a repensar algumas atitudes. Não todas. Não sempre. Mas acredito que a longo prazo possa haver uma redução do número de agressões e melhora no comportamento e na forma de educar.

No começo dos anos 90 seus pais utilizavam cinto de segurança dentro da cidade? Não, né? E pra viajar? Lá em casa minha mãe colocava malas atrás dos bancos da frente, cobria com cobertas e fazia uma “caminha” para que eu e minhas irmãs pudéssemos viajar dormindo deitadas e com mais conforto. Precisou virar lei e ter uma pena (multa e pontos na carteira) para que o cinto de segurança fosse utilizado por todos os ocupantes do veículo.

Será que também não precisamos desse empurrãozinho para perceber que não precisamos usar de violência para educar nossos filhos?

Será que não podemos mudar a nossa forma de reação à grandes desafios na educação e decepções com os filhos?

Será que não conseguimos separar nossos problemas e frustrações e não descontar nas pessoas que menos tem culpa e que mais amamos?

Os filhos imitam os pais. Compartilho abaixo o vídeo Children See, Children Do, que já foi divulgado aqui no post A influência do comportamento do adulto na vida nas crianças. Vale a pena ver de novo.

Imagem de Amostra do You Tube

Se alguém tiver dúvidas de como agressões físicas e verbais podem traumatizar uma criança e adolescente, sugiro buscar no Google “agressão física dos pais”, “tentativa de suicídio adolescentes” ou “agressividade das crianças pequenas”.

E vocês, o que pensam sobre tudo isso? Que a lei é uma bobagem e desnecessária? Que vai encher o sistema de denúncias e atrasar o julgamento de processos considerados “mais sérios”? OU que é sim importante? Acham que pode mudar alguma coisa ou não? Concordam comigo que o comportamento geral pode melhorar?

Dêem sua opinião. Com respeito! 😉

Imagem de destaque: ilustração da cartilha de saúde do governo (aqui)

Minhas filhas tem 3 anos e meio e 1 ano e 5 meses, portanto só posso falar do que passei até o momento. Em certos momentos é difícil controlar a raiva mas podemos educar sem agredir. Quanto aos adolescentes que “se não apanharem em casa, apanharão na rua” não posso falar nada. Espero que eu tenha sorte e não esbarre com nenhum desses. ;)