Aproveitando a vinda de minhas sobrinhas para o veraneio em Salvador, observei que Ana Carolina, minha sobrinha de 6 anos de idade, ainda usava um boneco de pano — que eu chamo de “mulambo” e ela, de “neném” — para dormir. Quando chegam para passar as férias, elas sempre ficam comigo, mas, ao entardecer, a menorzinha sempre sente saudade da mamãe – minha irmã mais velha. Para amenizar a saudade e dormir, ela abraça seu “neném” e assim dorme tranquilamente.
Enquanto minha irmã não chegava a Salvador, Carol dormia comigo, mas em companhia de seu “mulambinho”. Com a chegada de sua mamãe, o objeto ficou dentro do armário ou em cima da cama, não tendo mais tanta utilidade. Lembro que, quando tinha uns 2 anos de idade, Carol tinha bem mais apego ao seu bonequinho, mas, atualmente, ela tem demonstrado menos necessidade de estar com ele na hora do sono ou quando está sozinha (sem os pais).
Escolhi falar sobre esse assunto no post de hoje pois o “neném” de minha sobrinha, dentro da Psicologia, é chamado de OBJETO TRANSICIONAL. O objeto transicional parece representar um importante papel no processo de maturação da criança. Por ser algo que não está definitivamente dentro nem definitivamente fora do bebê, servirá para a criança delimitar seus próprios limites mentais em relação ao interno e ao externo. Quando a criança manipula o ursinho ou a manta, ela adquire sensações que servem para estabelecer seus limites corporais e também a própria representação da mãe, diminuindo sua ansiedade ou medo.

A sucção do punho e do polegar, algum objeto (cobertor, lençol, babador, fralda) ou fenômeno (som, ruído, maneirismo do bebê) surge e adquire uma grande importância na vida do lactante. O objeto (ou fenômeno) é por ele investido e usado na hora de dormir, como defesa contra a ansiedade da separação mãe-bebê ou uma noção de diferenciação entre a criança e a mãe.
À medida que a criança vive a separação em relação a sua mãe, apropria-se de um “pedaço sensorial do mundo” e o reinventa com sua sensibilidade. Um pano, um brinquedo, um boneco, uma chupeta ou uma coisa adquire uma segurança em relação ao mundo, assim, o objeto escolhido pelo bebê, seja qual ele for, é como um objeto transicional. A criança se apega a um objeto para auxiliá-la rumo à sua realidade compartilhada — eu e ela, não apenas nós.
Essa é a etapa em que o bebê começa a perceber que existe o Eu; o espaço entre os dois é concretizado pelo objeto transicional: primeira possessão do bebê (pedaço de tecido, bichinho de pelúcia), que representa tanto a presença quanto a ausência da mãe. É esse objeto que vai ajudá-lo a suportar a percepção de que não existe a tal fusão mãe-bebê e dar início ao processo de transição entre o mundo interno e externo.
A desilusão de que o bebê não é o centro do mundo vêm gradativamente através do desmame, quando o bebê vai descobrindo que tem alguém que está permitindo e cuidando disto para ele; a mãe aos poucos vai proporcionando seu crescimento emocional. O desmame não é só o término da alimentação ao seio, mas a tarefa de aceitação da realidade que nunca é completada de um modo absoluto, e o alívio dessa tensão são propiciados pela área intermediária (objetos transicionais), que facilita a discriminação entre fatos e fantasias.
A capacidade de estar só surge, então, como um paradoxo de estar só na presença do outro; é a expressão de saúde e a finalidade da maturidade emocional. Ela diz respeito ao período em que a mãe atravessa o estado de gerar certa independência (retomar os seus outros papéis) e o bebê, a fase de sentir-se seguro quando está só — “estou só, mas sei que ela vai voltar”.
A capacidade de estar só é um dos maiores sinais de maturidade; essa capacidade é diferente do medo ou do desejo de ficar só e ainda diferente de se ficar isolado; pode-se estar isolado, mas não estar sozinho e pode-se estar com alguém e estar-se só. Esse estar com o outro e estar simultaneamente só refere-se a momentos de silêncio na relação com o outro, existindo-se tranquilamente, uma solidão compartilhada em segurança.
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