Chegamos então à penúltima idade da série — perfil de comportamento! Vamos lá…
Aos 9 anos já não vemos um criancinha, mas ao mesmo tempo ainda não vemos um adolescente. Logo, essa idade é considerada uma fase intermediária no qual o indivíduo deixa de ser criancinha e inicia sua caminhada para a pré-adolescência. E é devido a isso que podemos notar alguns avanços, tais como: tornam-se mais seguras de si, adquirem novas formas de independência, aumentam o interesse por leitura e televisão, realizam numerosas críticas para com os pais, desenvolvendo assim um pensamento crítico independente. Querem que as coisas sejam bem feitas, podem se sentir envergonhadas de terem se comportado mal ou avaliam o comportamento das outras crianças.
Um outro aspecto que podemos notar nessa fase é a perda da magia: aumentam a concepção realista do mundo e muitos não gostam de contos de fadas. Entretanto, acreditam fortemente na sorte e em algumas superstições (se beijar os dados cairá uma numeração alta).
Apresentam interesse nos problemas do mundo relativos a saúde, transportes, cidades, natureza, meteorologia e datas comemorativas/feriados. Já sabem ver as horas, mas ainda continuam não tendo tanta responsabilidade de se guiarem pela hora para saber quando devem fazer as coisas. Não são capazes de dizer, por exemplo, qual é o horário diário da escola; sabem dizer a que horas é o intervalo e a que horas voltam para casa. Entretanto, são mais cuidadosas e não perdem tanto as coisas como antes. Quando estimulados pelos pais, fazem algum esforço para arrumar o quarto, mas em geral “não penduram a roupa”.
Se lhes proibirem alguma coisa, como por exemplo jogar ou ler uma revistinha, podem fazê-lo às escondidas, sem o conhecimento do pais. Se as ordens recebidas não lhes agradam, podem mostrar-se emburradas, mal humoradas ou irritadas, mas se não fizerem caso geralmente acabam por obedecer. Outras vezes arranjam desculpas quando as coisas correm mal: “Ele estava me distraindo.” É muito comum vingarem-se dos outros ou implicá-los. Se receberem um pontapé, reagem rapidamente dando o troco.
Pedem desculpa quando procedem mal e podem sentir-se envergonhadas do que fizeram. As normas do grupos parecem ter maior influencia agora do que as normas familiares.
Interessam-se por saber quanto custam as coisas e algumas crianças são capazes de juntar dinheiro para comprar algum objeto desejado. Agradam-lhe a ideia de ter uma grande quantidade de dinheiro para o contemplarem, mostrarem, contarem e falarem acerca dele.
Sua vida escolar também parece mudar: apesar de demonstrarem grande gosto de irem para escola, tendem a esquecer-se de levar o material necessário quando não lembram de fazê-lo. Contam para os colegas e professora, em detalhes, as suas atividades de casa e fora de casa. Na sala de aula mostram-se mais calmas quando realizam uma atividade, mas podem a qualquer momento se agitarem ou fazerem algum tipo de barulho.
São competitivas e demonstram receio em fracassar. Trabalham e brincam ativamente e só param de fazer aquilo de que gostam, como andar de bicicleta, jogar videogame, ver televisão, jogar bola, correr, etc., quando efetivamente não podem mais. Têm maior domínio da própria velocidade, mas demonstram receio das velocidades ao andar de patins ou skate, por exemplo. Os meninos gostam de lutar e podem demonstrar interesse em boxe ou artes marciais. Há um maior interesse nos jogos de grupo e em aprenderem a jogá-los bem.
Alimentação: mais controlada; comem agora sensivelmente a mesma quantidade que um adulto. Rejeitam especificamente alguns alimentos, sendo às vezes bem restritivas ou repetitivas — só comem o que gostam, não se arriscando muito. Se comportam melhor na mesa, possuem um bom domínio com os talheres e prestam atenção nas conversas da mesa podendo até mesmo participar delas.
Dominam perfeitamente o ato de vestir-se e é raro precisarem ser lembradas para ir ao banheiro, para realizar suas necessidades. Não demonstram resistência na hora de tomar banho, mas podem enrolar um pouco. Gostam sempre que haja um adulto por perto para lhes guiarem ou ajudarem. Ainda precisam serem lembradas de escovar os dentes e lavarem as mãos. Já podem demonstrar alguns sinais de vaidade, principalmente com os cabelos.
Choro: só quando as emoções são excessivamente violentas, então podem chorar por estarem irritadas, muito tristes ou exaustas, por se sentirem feridas nos seus sentimentos ou por lhe fazerem uma acusação injusta.
As crianças de 9 anos querem ser independentes e exigem menos tempo e menos atenção da mãe porque estão muito atarefadas e centradas na sua própria pessoa. As relações são mais tranquilas, desde que a mãe saiba tratá-las com respeito devido à sua maior maturidade. Demonstram um melhor relacionamento com o pai, principalmente em atividades que interessam a ambos. É evidente que as crianças nessa idade aos poucos estão adquirindo um sentimento de posição individual e, por isso, tendem a participar mais da vida familiar e se interessarem por assuntos do mundo adulto, bem como curiosidades. Isso faz parte do crescimento, organização e preparo para a vida adulta.
Vou concluir o post de hoje com um diálogo da minha sogra com meu cunhadinho, quando ele tinha 9 anos (completou 10 anos em agosto desde ano):
Sogra: saia justa ontem em casa.
— Mãe, você faz sexo com o papai?
— E o que é sexo, filho?
— Quando tiram a roupa e ficam balançando.
— Onde você viu isto?
— Num filme no cinema (não me lembro o nome que ele falou…).
— Filho, a gente namora, eu namoro o papai.
A fase da inocência infantil começa a dar adeus… inté!

